Segue, na Ãntegra, reportagem da Zazcar que saiu na Quatro Rodas de outubro:
Você já ouviu falar em car sharing? Significa compartilhar um carro, uma tendência em cidades europeias e americanas que desembarca em São Paulo. Mais que uma locação de veÃculo por hora, com custos como seguro e combustÃvel já incluÃdos, trata-se de uma forma mais racional de usar um automóvel: você dirige quando realmente precisa, e não porque tem um carro à disposição. Um raciocÃnio tão válido quanto complexo numa metrópole congestionada e carente de transporte público.
Quem lança o desafio de repensar o uso do automóvel em São Paulo é a Zazcar, empresa inspirada em exemplos como o da americana Zipcar – maior rede de car sharing do mundo, com receita anual de 130 milhões de dólares e crescimento estimado em 30% – ou o da pioneira Mobility, da SuÃça, nascida de iniciativas entre amigos que hoje reúne 84500 associados e 2200 veÃculos (leia ao lado). Nos primeiros 45 dias de operação da Zazcar, que oferece dez carros com ar-condicionado e direção hidráulica em quatro pontos, aproximadamente 40 motoristas se cadastraram no site da empresa (www.zazcar.com.br) – metade tem um automóvel.
São pessoas como o gerente de tecnologia Daniel Borin, 25 anos, que há três anos saiu de Bauru, no interior do estado, para viver na capital. Ele trabalha em uma corretora do mercado financeiro e automaticamente verifica o custo-benefÃcio de seus gastos. Foi assim que ele decidiu morar perto do escritório, na região da Paulista, e vender o VW Gol que usava diariamente em sua cidade natal. “Só o preço mais alto do seguro me fez desistir de ter carro aquiâ€, afirma.
Para visitar a famÃlia, Borin aluga um carro da forma convencional e, no dia a dia, vai de táxi quando necessário. Uma tarde, um amigo voltou do almoço e lhe deu um folheto da Zazcar. “É uma boa para você, não?â€, disse o colega. Borin testou o car sharing numa noite, para ir a uma balada marcada em cima da hora. “Ficaria caro ir de táxi e resolvi experimentar [o serviço]â€, afirma. Ele reservou um Fiat Punto 1.4, retirou o carro perto do Conjunto Nacional e foi ao encontro dos amigos. No local, ligou para a empresa para estender o perÃodo do aluguel e pediu uma indicação de caminho para a volta. No dia seguinte, Borin foi ao trabalho sem carro, como faz todas as manhãs.
Ter ou não ter?
Felipe Barroso, 31 anos, sóciodiretor da Zazcar, explica que esse é só um dos perfis de cliente que espera conquistar com o serviço, inaugurado após seis meses de estudos e viagens para cidades da Europa e dos Estados Unidos atendidas por empresas de car sharing. “O conceito é servir de alternativa à posse de um carro sem abrir mão do conforto de dirigir um carro quando a pessoa quiser ou precisarâ€, afirma. “Compartilhar um automóvel também é mais ecológico: mais pessoas usam o veÃculo e elas aprendem a dirigir só quando necessário, reduzindo a emissão de poluentes.â€
Como na maioria das iniciativas, a Zazcar deixa sua frota em estacionamentos 24 horas perto de estações de metrô – no caso, as da linha 2-Verde – e o associado retira e devolve o veÃculo no mesmo local. Há uma taxa de adesão de 60 reais e mensalidade que vai de 15 a 600 reais: quanto mais alto o valor fixo, maior o desconto na tarifa de uso. Assim, uma hora com um VW Fox 1.0 varia de 22 a 32 reais, enquanto um Honda Civic custa de 44,80 a 64 reais. A tÃtulo de comparação, a Zipcar cobra 11 dólares (20 reais) pelo Civic e oferece um hÃbrido Toyota Prius por 8 dólares (cerca de 15 reais) a hora.
Ainda assim, Barroso diz que compartilhar um carro é mais barato que ser dono de um automóvel com baixa rodagem, quando se somam os custos de seguro, combustÃvel, manutenção e depreciação do veÃculo, entre outros. “Quem dirige menos de 10000 km por ano perde dinheiro sendo dono de um carroâ€, afirma. Os cerca de 800 novos automóveis que diariamente chegam à s ruas de São Paulo, capazes de formar uma fila de 90 km todo mês, são mais um número dessa equação sobre o uso do carro na cidade – seja você o dono ou não.
PELO MUNDO
A empresa suÃça Mobility surgiu em 1987, da união de dois grupos de car sharing, ambos com um carro. Em 1998, o serviço chegou aos Estados Unidos, onde 323681 pessoas dividiam 7772 veÃculos, segundo estudo da Universidade da Califórnia. Esse crescente mercado já atrai marcas como Toyota e Ford, ambas parceiras da Zipcar. “Não só não tenho medo, como vejo [o car sharing] como uma chance para participarmos das mudanças relacionadas à posse de um carroâ€, disse à revista Fortune William Clay Ford Jr., bisneto de Henry Ford e presidente do conselho da montadora.
COMO FUNCIONA
Não fosse a evolução da tecnologia, provavelmente o car sharing não se disseminaria da mesma forma. Nas primeiras iniciativas, os associados tinham a chave de um cofre, onde eram guardados o livro de reservas e a chave do carro. Hoje, basta um cartão e um computador de bordo para o sistema funcionar. Veja como:

O associado faz sua reserva por telefone ou pela internet. No estacionamento, ele abre o carro aproximando o cartão de um sensor instalado no para-brisa.

O computador de bordo instalado no carro faz perguntas sobre as condições do veÃculo e só libera a chave do carro após esse questionário ser respondido.

Durante o uso, o motorista aciona o motor e trava as portas com a própria chave do veÃculo. O modelo deve ser devolvido no mesmo estacionamento onde foi retirado.
VOU OU NÃO
Os prós e contras do car sharing:
- CombustÃvel: você retira o carro com pelo menos um quarto do tanque e pode abastecer em postos conveniados. Se pagar pelo serviço fora dessa rede, a empresa reembolsa o valor.
- Distância: a tarifa inclui até 100 km. Não é pouco para uso urbano, mas insuficiente para ir a Santos e voltar, por exemplo.
- Planejamento: é preciso reservar a hora de retirada e a de devolução. Imprevistos fazem a conta ficar salgada.
- Manutenção: você não precisa fazer revisões nem consertos. Mas tem de confiar na empresa e em quem usou o carro.
- Link da reportagem: Car Sharing